sábado, 2 de março de 2013

Resenha de "Legend", de Marie Lu

Vou inaugurando um novo tipo de resenha no meu blog, feito, agora, em módulos. Afinal de contas, ninguém mais tava aguentando ler as minhas longas resenhas. Ah, essa geração Y!
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Título: Legend - A verdade se tornará lenda
Autora: Marie Lu
Editora: Prumo
Número de páginas: 255
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Sinopse:
Ambientado na cidade de Los Angeles em 2130 D.C., na atual República da América, conta a história de um rapaz – o criminoso mais procurado do país – e de uma jovem – a pupila mais promissora da República –, cujos caminhos se cruzam quando o irmão desta é assassinado e a ela cabe a tarefa de capturar o responsável pelo crime. No entanto, a verdade que os dois desvendarão se tornará uma lenda. O que outrora foi o oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação eternamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.
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Resenha:
Lá vamos nós, então! Ultimamente tenho buscado todo tipo de livro distópico. E isso por um bom motivo: estou pesquisando o que é bom e o que não é nesse estilo, já que estou escrevendo um livro de distopia. Para tanto, decidi ler Legend. Eis minhas observações (em itens!) sobre o primeiro livro.
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ENREDO:
- Legend possui um enredo bastante básico, para falar a verdade. Dois extremos da sociedade que acabam se encontrando e compactuando, apesar da rivalidade e hostilidade iniciais;
- Temos um Estado forte e opressor, com a ótima característica de ser militarizado. O estilo do livro, baseado nisso, fica bem diferente do que já vimos em outras ocasiões;
- Felizmente é um livro YA que não é obviamente feminino. Faltam livros que tenham como foco (mesmo que secundário) o público masculino. A maior parte se limita ao feminino, e quando homens querem ler histórias interessantes, têm que procurar em outro lugar. No meu caso, isso é um bom atributo;
- O livro é rápido e sempre tem alguma coisa acontecendo. Isso é vital. Nesse estilo, com esse gênero, foco e tudo o mais, a história tem que ter um bom andamento. Caso contrário, não chama atenção;
- É relativamente original. Toda a questão distópica é bastante básica, com os mesmos inimigos e tudo o mais, mas Legend consegue se sair muito bem, mesmo em meio à avalanche de distopias que temos visto ultimamente. Consegue ser ligeiramente político, também, e fazer algumas críticas, além de mostrar possibilidades alarmantes do que poderia estar sendo feito;
- Se passa nos EUA. Talvez não seja um ponto tão positivo assim, principalmente porque tem aquela coisa chata de patriotismo exacerbado que quase sempre vem junto das histórias que vêm de lá. Me irrita um pouco;
- O livro tem um clima muito bom, bastante envolvente. É meio pessimista, exatamente como uma distopia deve ser. Tem um ótimo ritmo;
- O romance é rápido demais. Outra vez, outro livro com o mesmo problema. Não há nenhuma razão para um dos personagens beijar o outro, mas eles se beijam. Porque dá na telha. Porque foi amor à primeira vista. Ninguém merece, né?
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PERSONAGENS:
- Os protagonistas são os tais extremos que se encontram. Day e June são bastante carismáticos, e a história é contada em capítulos que se revezam sendo contados por ele e por ela, e assim por diante;
- June é uma garota forte, mas que possui fraquezas. Ela é bastante verossímil e conquista a empatia, mesmo estando no lado "mau" da história;
- Day, apesar do péssimo nome, é bastante interessante, também. Ele é o criminoso mais procurado da República, apesar de ter pouca idade. Isso é um pouco chato, já que não me entra direito na cabeça que um garoto tão novo pudesse ser o cara mais procurado de todo o país, mas depois há uma explicação que, se não soluciona o problema, pelo menos o ameniza. Outra, o fato de ele ter ascendência mongol foi bastante inusitado. A diversidade é interessante;
- Há vilões. O que é uma pena, já que seria muito bom que todos os personagens fossem mais próximos do real e não assumissem lados. Afinal de contas, ninguém é totalmente bom, nem totalmente ruim. Mas vou aceitar essa luta "bem x mal" porque é um livro para jovens adultos. Mas só por isso;
- Todos os personagens são bem estruturados e têm uma razão para existir. Isso é ótimo.
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IMPRESSO:
- A capa é bonita, mas sem exagerar em nenhum quesito. Mostra o básico, ou nem isso. Afinal de contas, que diabo é aquele símbolo na capa? Em nenhum momento da história se fala em um símbolo assim. Se fala em um medalhão, certo, mas esse é o símbolo que fica nele? Enfim...
- O livro é de muito boa qualidade. As diagramações das orelhas são delicadas e muito bem dispostas. O degradê do fundo é muito mais bonito do que o da versão em língua inglesa (que parece mais metalizado mas é bastante forçado). A contracapa é ótima;
- No interior, as páginas são impressas com um efeito de sujeira nos cantos, o que dá uma interessante mudada no que se espera de um livro tradicional. Pode parecer forçado, mas é realmente muito legal;
- O cabeçalho foi mal-posicionado. O título, pequenininho, escrito na linha vertical que o bloco de texto supõe, dá a entender que faz parte do texto. Fiquei confuso lendo "Legend" ali em cima, na primeira vez. Poderia ter sido melhor arranjado;
- Os capítulos têm fontes diferentes entre si. Os de Day são com a fonte Cronos, e os de June, não sei qual é, mas trata-se de uma mais tradicional, com serifas. Digamos uma Minion. Achei que a combinação não ia ficar inteligente, mas como o garoto é mais emocional que a garota, as coisas se encaixam. Mas essa combinação toda de fontes incomoda um pouco, às vezes. É bom ter uma constância entre os capítulos.
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NOTA FINAL: 4,2 de 5

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Resenha de "A Ordem da Rosa Branca - O Enigma do Anel", de Daniel Násser

Título: A Ordem da Rosa Branca - O Enigma do Anel
Autor: Daniel Násser
Editora: Imperial Casa Editora da Casqueira
Número de páginas: 154
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Sinopse:
“O Beco das Quatro Bocas é a mais famosa zona de bares, casas de jogos de azar e bordéis da cidade de Macau. Ninguém da sociedade freqüenta o lugar afamado, tanto por suas memoráveis balburdias e homéricas brigas, que muitas vezes findavam-se com a trágica morte de um dos envolvidos, como por suas sedutoras mulheres de beleza e ferocidade ímpares. Era este reino de perdições e trapaças tudo o que Tributino conhecia, era o seu mundo e os limites de seus horizontes.” ---
Resenha:
Daniel Násser nos apresenta, nesta obra, uma história muito diferente do que se espera. Um autor brasileiro, utilizando-se de um cenário nacional de maneira verossímil e competente, com personagens já consagrados na literatura mundial é realmente inédito. E, mesmo que a mistura pareça um pouco demais, a história consegue se manter em seus próprios trilhos e fazer o que promete.

Trata-se de uma história na qual Mycroft Holmes, irmão do famoso detetive, convoca um grupo de pessoas extraordinárias para fazer parte da Ordem da Rosa Branca (que dá nome ao livro). Ele pede ajuda a indivíduos distintos para entrar em uma batalha contra o prof. Moriarty - o arquirrival de Sherlock Holmes -, que se escondeu em Macau e está atrás de um anel (que também está no título do livro). Os planos de Moriarty devem ser desfeitos, de maneira a proteger a humanidade.

Macau, no caso, é a cidade onde mora o autor do livro. Trata-se de uma localidade no Rio Grande do Norte na qual raramente alguém imaginaria colocar figuras exóticas de livros famosos. Mas Daniel fez o que não se esperava e trouxe até a própria cidade personagens como Aladdin, Henry Jekyll, Julius Nemo e até mesmo Drácula, para citar os mais conhecidos. Na verdade, a maior parte deles eu não conhecia, então achei o máximo saber um pouco mais sobre personagens de histórias famosas das quais eu não tinha conhecimento. Trata-se de um apanhado geral de figuras emblemáticas da literatura, que, reunidas, formam um grupo realmente extraordinário.

Na verdade, um dos maiores trunfos da história é justamente o uso desses personagens. Talvez com alguns que o próprio autor tivesse criado, não haveria tanto interesse nessa história. Mas essas figuras (muito bem ilustradas no final do livro, por sinal), são o que fazem da obra algo marcante. E todos os personagens são bem explorados - se não otimamente -, e todos têm um papel a desempenhar, mesmo que seja pequeno. Quem sabe seja esse o maior defeito desse artifício em relação a eles: serem muitos. Não é difícil se perder em um amontoado desses de personagens, mesmo famosos, e alguns sempre são relegados ao segundo plano. Ainda assim, Daniel deu um jeito para fazer com que cada um, se não fosse, parecesse importante.

A história acompanha o ponto de vista de Henry Jekyll (o protagonista de "O Médico e o Monstro"), e mostra como os acontecimentos se desenrolam até o ponto final da narrativa. Esta, por sua vez, é muito boa. Daniel Násser mostra que, apesar de ser um autor iniciante e (quase) publicado de maneira independente, tem muita competência com as palavras. Sua eloquência é notável, e somos sugados para dentro da história com muito vigor: ela nos prende e faz com que queiramos continuar lendo, para saber o que é que vai acontecer nas próximas páginas.

Mesmo com uma edição claramente econômica (as páginas são muito finas, e dá para ver o verso enquanto se lê cada uma; ou seja, enquanto se lê esse lado, as palavras impressas do outro incomodam a leitura), há muito profissionalismo. A revisão foi ótima, e é perceptível que o trabalho feito é melhor do que o de muitas editoras, que muitas vezes nem se dão ao trabalho de dar uma revisada boa mesmo no material. Pode ser que tenha faltado uma preparação melhor nos diálogos - que não têm um recuo maior, diferenciando-o do restante do texto. Ainda assim, a edição é muito boa.

Cabe também ressaltar todo o conteúdo extra que o Daniel colocou no final do livro. Há ilustrações dos personagens, suas bibliografias (livros nos quais eles apareceram originalmente), informações extras sobre a história e até mesmo um almanaque sobre a cidade de Macau. Tudo isso enriquece em muito a obra, e é um conteúdo que agrada por toda a pesquisa feita. Também as frases de livros famosos que abrem cada capítulo - e se identificam diretamente com o que estes dizem -, são muito interessantes. E muito bem escolhidas.

Por fim, vale dizer que "A Ordem da Rosa Branca - O Enigma do Anel" é um livro que vale muito a pena ser lido, principalmente pela inusitada mistura que oferece ao leitor. Uma mistura muito bem feita, por sinal. Vindo de um autor nacional, que aposta em sua terra natal e inclui personagens muito famosos da literatura clássica para contar uma história que, se não genial, é muito boa... não me resta dizer nada a não ser que a leitura da obra é altamente recomendável. É esse tipo de autor iniciante e nacional que devemos apoiar.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Resenha de "A Esperança", de Suzanne Collins

Título: A Esperança
Autora: Suzanne Collins
Editora: Rocco
Número de páginas: 422
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Sinopse:
Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais de lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução. A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo.
O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra?
Acompanhe Katniss até o fim do thriller, numa jornada ao lado mais obscuro da alma humana, em uma luta contra a opressão e a favor da esperança.
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[Aviso: esta resenha pode conter spoilers.]
Resenha:
Foram raras - muito raras, na verdade - as vezes que eu peguei um livro, comecei a ler e terminei logo a série inteira. Mas foi assim com "Jogos Vorazes", mesmo que com algumas outras histórias intercaladas. Entre maio e dezembro li do primeiro ao terceiro livro - mesmo tendo decidido não ler o terceiro -, vencendo até quando li o volume único de "O Senhor dos Anéis". Quero dizer, por ser um volume único, eu tecnicamente o leria sem interrupções. Mas demorei nove meses.

Na verdade, a minha vontade de ler só surgiu depois da moda das distopias ficar fortalecida por conta do filme de "Jogos Vorazes". Eu vi o filme antes de ler o livro, e achei tão bom que resolvi dar uma chance à trilogia. Fã confesso de Orwell, eu esperava que encontraria algo de ótima qualidade e com um conteúdo ótimo de distopia. Felizmente, foi o que eu tive.

O primeiro volume, que cede o nome para o restante da trilogia, é primoroso. Tem tudo o que eu vi na tela do cinema, e mais. É encantador de uma maneira fúnebre, triste e violento na medida certa, além de plantar algumas sementinhas de esperança que nos deixam contentes e muito curiosos para saber o resto. O segundo volume peca um pouco em originalidade ao levar os protagonistas outra vez para dentro da arena e apenas repetir com a ideia de luta e morte e competição para se salvar. Com um final bem inusitado, a situação em aberto incomoda um pouco, mas até que o volume é satisfatório, no final das contas.

O terceiro livro é o que mais se distancia da ideia original da história. Não há jogos vorazes, a princípio. A ideia é a de mostrar como a guerra pode ser muito mais voraz do que os jogos (uma frase escrita na contracapa). Por isso, Katniss encontra-se junto dos rebeldes, tramando contra a Capital e querendo destrui-la. Querendo, acima de tudo, matar o presidente Snow.

Nesse cenário, o triângulo amoroso entre ela, Gale e Peeta se perde um pouco. Claro que há diversas coisas envolvidas, mas o foco principal do livro é a espetacularização de tudo. Um fenômeno bastante interessante de ser abordado. Tanto a Capital quanto os rebeldes querem gravar tudo e mostrar para todo mundo. Até a investida contra a Capital é anunciada pela televisão, estragando qualquer plano de ataque que poderia ser feito. Katniss está sempre sendo preparada para aparecer nas telas, com maquiagens e elementos ornamentais. Ela raramente é posta no combate, porque o que importa é parecer estar, e não estar lá.

Então nos vemos em meio a uma guerra entre os distritos e a Capital. O começo do livro é lento, se desenvolvendo muito devagar. Parece não haver objetivo nenhum para a história continuar. É só uma profusão de pontoprops gravados e sendo divulgados. E alguma coisa ou outra, com Katniss falando frases de efeito supostamente espontâneas, ou viagens até distritos que estão em luta.

Se tem uma coisa que Collins conseguiu instigar no leitor é o terror pela guerra. Tudo é muito vívido, e os detalhes são bastante tensos. A violência que já se fazia presente nos outros volumes é exacerbada nesse, e tudo é mostrado em alta definição para as televisões de Panem. Mas a partir do momento em que Katniss efetivamente vai para a Capital, as coisas desandam um pouco.

Certo, ela fica enrolando por algum tempo, só desativando "casulos" (que é uma das coisas que me irritou nessa trilogia em geral: como a autora apresenta objetos e situações como se só os estivesse retomando - algo que ocorreu com as amoras no primeiro livro -, mesmo que ninguém nunca tenha antes ouvido falar sobre ele). E quando as coisas começam a acontecer... BAM! É tudo muito rápido.

Ok, começa com alguma lentidão e vai aumentando de velocidade com o tempo. Mas quando vemos, já não há como entender o quê está acontecendo. Eles estão acima do chão - opa, não, estão no subsolo. Ah, o cara vai fazer tal coisa - opa, ele morreu e eu nem sabia. Certo, agora eles vão correr até o outro lado da rua - mas, hein, porque é que o Gale está subitamente se segurando em uma porta, em uma descrição que eu não consigo entender? As coisas ficam tão rápidas que se tornam confusas.

Os três últimos capítulos, então, passam numa torrente de palavras que parecem ter sido vomitadas e jogadas nas páginas, sem muito tratamento. Katniss pensa algo no começo do parágrafo e já refuta seus próprios pensamentos no final do mesmo. Aí ela está num armário no começo da página e já está com um arco na mão no final, matando sei lá quem. Eu, mesmo sendo um leitor relativamente atento, não conseguia entender muito das coisas que aconteciam porque simplesmente elas aconteciam não acontecendo. Não faz sentido, eu sei. Mas um momento que me marcou foi quando a protagonista estava correndo na direção de uma rua, e na outra frase ela estava agarrada à beira de um abismo. Mas não havia menção alguma a ela ter caído, ou tropeçado. Ela simplesmente apareceu agarrada.

Essa rapidez também fez com que eu não sentisse tanto pesar quanto poderia pelas diversas mortes. Teve personagens que foram visivelmente postos na história para ser mortos. A autora trabalhou o básico dos básicos deles, e depois os matou. O exemplo mais claro é de Leeg 1 e Leeg 2. Os personagens eram tão irrelevantes que ela nem se deu ao trabalho de dar nomes a eles? E quando a morte mais significativa acontece, é no final de um capítulo. E quando chega o capítulo seguinte, não se sabe o quê é verdade ou o que é mentira. Certo, é um recurso narrativo usado para mostrar a confusão de Katniss, mas não era necessário tanto assim. No final, não se sabe nem o que aconteceu, direito.

Quando o final chega, estamos num turbilhão tão apressado que parece que ele nem chegou. Ok, o final é bonito, relativamente em aberto, triste e feliz ao mesmo tempo. Do jeito que eu gosto. Mas foi tão apressado que parece que foi jogado na minha cara, pra "terminar de uma vez com isso". O epílogo, totalmente desnecessário, não ajudou muito.

Ainda assim, a carga dramática da história é notável. Também questões políticas que se entravam nas entrelinhas são louváveis. É incrível como um livro que trata sobre a espetacularização seja espetacularizado no mundo real através de um filme. É um filme que fala às pessoas sobre assistir a mortes, enquanto elas assistem a mortes. Outra questão é sobre a dualidade das coisas. Existem vilões, existem heróis? Até que ponto Snow é realmente a personificação do mal? E quanto a Coin?

Definitivamente "A Esperança" é mais interessante pelo que quer dizer do que pelo efetivamente diz. Não é uma história totalmente espetacular, mas prende com muita força e é bastante chocante em alguns pontos. Seria injusto dizer que é um livro "bom". É um livro ótimo, mas não espetacular. Ganha pontos por toda a questão política e pela crítica que faz à sociedade de hoje. Fora isso, é basicamente um caos completo. Exatamente como uma guerra.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Os números mágicos das séries literárias

Estamos mais uma vez aqui para falar sobre o maravilhoso e o esquisito do maravilhoso e esquisito mundo editorial! Como eu faço parte dele tanto como escritor, como editor, acho que tenho alguma propriedade não só para falar, mas como para zoar das incoerências e inconstâncias dele. Afinal de contas, quem não gosta de rir um pouco de si próprio, né não?

Hoje vamos tratar de um assunto místico no mundo literário. Uma questão meio etérea, um troço que rege toda a existência das séries literárias: o simples fato de serem séries. No caso, a questão sobre a qual vamos tratar é histórias que têm mais de um livro. Qualquer história, sem discriminação (o único preconceito é que só vou falar sobre livros que eu conheço, então se você souber de algum exemplo, me avise).

Uma série literária é o seguinte: uma história que não segurou a periquita e decidiu que não quer ser contada em um só livro. Ou seja, uma narrativa egocêntrica que acha que pode mais do que os livros-únicos. É tipo perfil de orkut, lembra? Tinha gente que se contentava com seu limite de 1000 amigos e tinha um perfil só. Por outro lado, tinha gente que queria mais e fazia o perfil ***>>Srtò. Fabíûû Brusty perfil **1**LOTADO<<***, além do perfil **2**LOTADO, do perfil **3**LOTADO e por aí vai, sendo amigo até do Zé Carioca se duvidar.

Enfim, as séries são essas pessoas. E, assim como qualquer coisa seriada, existem certos números mágicos que geralmente são seguidos. Em uma ordem não-crescente, vamos tratar desses números. Mas primeiro vamos falar sobre livros-únicos.

Os livros-únicos são os solitários do mundo literário. São os filhos únicos de um pai que não quis dar continuidade à história ou simplesmente foi são o bastante para não se forçar a continuar. Porque dependendo, o livro 2 pode muito bem não ser à altura do livro 1, então às vezes é realmente melhor se limitar. Pelo menos daí não sai aquele tipo de coisa como "Pocahontas 2", só pra dar o primeiro exemplo que me veio à cabeça.
Urgh.
 
Ah, o número 3! Para as séries literárias, ele é traduzido pela palavra colossal e incrivelmente épica "trilogia". Quando alguém comenta que está escrevendo uma série de 3 livros, ok. Se a pessoa está escrevendo uma trilogia, santo Deus. É algo muito maior. Uma trilogia é o suprassumo de qualquer série literária! Quando a narrativa tem potencial para três livros, se eles forem bem desenvolvidos, a coisa pode sair muito bem.
Quando não há história e só se quer ter um dos números mágicos na capa de sua história... aí a coisa complica. Normalmente o livro 2 vai ser o escolhido para ser o "intermediário" entre a introdução da história e o que realmente acontece. Se for uma jornada, no livro 2 não vai acontecer absolutamente nada. Se for uma jornada, o livro dois vai servir pra mostrar eles caminhando. Só.
É, basicamente, o meio do caminho. E todo mundo sabe que ninguém quer saber o que aconteceu no meio do caminho. Se acontece uma briga, você está interessado em se o cara foi pro hospital ou pra saber como foi cada soco que ele levou?
Ok, péssimo exemplo. Todo mundo vai querer saber quanta paulada o cara levou.
O pior das trilogias é que qualquer, e eu insisto, qualquer escritor novato quer fazer uma trilogia. Eu mesmo quis. E aí a situação fica ainda mais preta.
Sinceramente, se você é um escritor novo e quer ser cabeça-dura como eu (que não comecei com contos e sempre quis ir logo pros livros), faça um favor a si mesmo: faça um livro-único. Sério.

Um pouco menos poderoso (mas não tanto) que o número 3, encontra-se o número 7. Tudo bem, não é uma trilogia, mas é incrivelmente poderoso. Sete é um número mágico tanto quanto o três. Só diminui um pouco o nível de maravilhosidade.
Enfim, é aquela história que precisa de mais espaço para ser escrita do que três livros. E todo mundo sabe que, depois do três, só o sete é aceitável. Entende? Quero dizer... se você já fez quatro, porque não sete? Faz sentido?
Não. Eu sei que não.

Ok, agora vamos partir para o próximo nível. O nível dos números que não fazem nenhum sentido.
É aquela série que sabe que não pode ser um livro-único, mas também não decidiu que número quer ser, afinal de contas. Aquela série que pensou: "Ah, quero ser mais de um! Mas não sei quantos vou ser". Aí quando chega em um número absolutamente sem noção, ela simplesmente para: "Valeu galera, vou ficando por aqui, té mais!".
Sou culpado nesse quesito: meu próximo livro vai ser escrito em dois. Mas isso não me impede de falar sobre os livros duplos! É quase como se a história quisesse ser algo mais, mas não consegue ser uma trilogia. Aí o autor, condescendente, decide não enrolar e fazer dois livros só. Bem justo, tá? Quer dizer que ele não queria forçar o leitor a ler um livro dois de pura enrolação e pulou o livro que não diz nada.
Tá mais pra algo do tipo de livro que queria ser um só, mas ficou grande demais e acabou se dividindo automaticamente. Poraí.

As hexalogias são séries que merecem determinado nível de pena. Ela queria, com todas as suas forças, ser uma série de 7 livros. Queria muito atingir esse fantástico número mágico, porque o sete é incrivelmente poderoso. Queria chegar lá a todo custo.
Mas não conseguiu.
E aí quando chegou o número seis, ela desistiu. Nadou, nadou, nadou, e morreu na praia. O livro seis costuma ser relativamente grande, mas não grande o bastante para justificar um livro 7. Aí sobra pra ficar por 6 mesmo.
Tão perto, tão perto!

Agora um exemplo muito específico: uma série de treze livros. "Desventuras em Série" até tem uma razão para ter treze livros. E também vou me referir a séries que têm, no número, alguma coisa de especial. Uma coisa que é significativa para a série e precisava ser aquele número. Uma história que tem algo de relativo à quantidade, e foi necessário (ou decorativo) que fossem treze os livros. Como a referência ao azar em Desventuras e Série. Outro exemplo é o da série "A Sétima Torre", que tem...
Bom...
Tem seis livros. Deixa pra lá.

O número quatro é o motivo pelo qual deixei essa lista fora de ordem.
As séries literárias com número de livros equivalente a quatro são vigaristas. Umas aproveitadoras.
Certo, o autor já sabe que não vai conseguir fazer 7 livros. Sabe que o ideal seria fazer uma linda e maravilhosa trilogia, mas... ele quer mais. Quer forçar seus leitores a comprar um só livro a mais (um só, que mal vai fazer?)!  Então é muito mais comercial fazer um quarto livro, mesmo não tendo muita história pra contar.
Já ouviram falar na trilogia da Herança? É, eu comprei o Eragon e o Eldest. Aí descobri que iam ser quatro livros, e todos os novos livros vinham com a nova vinheta: "Ciclo da Herança". Sério?
Sério?
Quer dizer que eu comecei a comprar os livros achando que iam ser três, mas, nop, mudei de ideia. Agora são quatro! Que lindo né.
Sem contar as séries de quatro livros que apelam ainda mais e decidem que, além de fazer um quatro livro, ele vai ser adaptado ao cinema e, surpresa, o livro vai ser dividido em duas partes.
Alguém conhece?

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Faça você mesmo: capas de livros eróticos

Todo mundo já ouviu falar em "Cinquenta tons de cinza", né?
Aquela fanfic de "Crepúsculo", na qual os personagens se metem a fazer algumas coisas mais "interessantes",  deixando de lado o puritanismo e coisa e tal. Aí o pessoal se viciou na história, que a autora publicava na Internet, e uma editora decidiu publicar. Que lindo, né! Aí bastou trocar os nomes dos personagens principais, colocar um título que se tornaria uma referência e vender. Muito.
Ah, o triunfo da cultura do remix!

"Cinquenta tons de cinza" teria um futuro brilhante pela frente. Tornou-se um grande sucesso editorial, e o próprio burburinho em torno dele fez com que muitos comprassem e lessem pela curiosidade. Eu mesmo fiquei curioso pra saber como era!
Foi só ir na livraria e ler algumas frases randômicas. Larguei o livro em seguida.
Mas o fato de eu me interessar ou não por livros que tratam de uma temática mais erótica ou simplesmente menos ortodoxa não importa agora! Eu vim aqui para falar sobre as capas dos livros eróticos.
Mas falar o quê?
Primeiramente, é importante saber que os livros eróticos são os novos livros de anjos, que, por sua vez, eram os novos livros de vampiros. Aquelas tendências que vêm, ficam um pouco e vão embora, que começam com um livro só que vende muito. Aí todas as editoras acham lindo e vão atrás, querendo publicar também alguma coisa só pra ir na onda. Nessa onda, muita coisa boa é perdida, e muita coisa ruim é publicada só pra estar no meio da tendência. Ossos do ofício.
Enfim, "Cinquenta tons de cinza" é um livro que lançou uma tendência: a de lançar livros eróticos!
E isso é facilmente perceptível. Veja alguns lançamentos nesse sentido por algumas editoras (em uma pesquisa feita em aproximadamente 5 min.):
Vejam bem, tem livros que copiam até o título da obra original.
De qualquer maneira, não é desse quesito que vou tratar hoje. Hoje vamos falar sobre capas de livros eróticos! E qual a melhor maneira de fazer isso?
Explicar a vocês como fazer sua própria capa de livro erótico!
Vamos lá!

1º passo - Encontre uma foto (de preferência que você tenha tirado, pra não ter problema de direitos autorais), de alguma coisa. Pode ser, literalmente, qualquer coisa. Melhor ainda se for algum detalhe de algum objeto qualquer.
A foto que eu escolhi foi a de eu com alguns colegas, tirada em Porto Alegre. Olha aí:


2º passo - Dê um destaque pra o quê você quer mostrar. Aqui eu vou recortar o que realmente importa pra minha capa. Olha só:

3º passo - Vamos colocar um filtro de cor nisso aí. Toda e qualquer capa de livro erótico tem que ser em preto e branco, certo? Além disso, já vamos criar um retângulo com o formato da capa. 14x21 tá show. Ah, e o fundo tem que ser preto. Lembre-se de que a disposição dos elementos deve ser a seguinte: no canto inferior esquerdo, o nome do autor; na esquerda, os objetos; na direita, o título. Exatamente assim.

4º passo - Esse é o ponto mais importante de toda a capa. Sério. O mais importante. E consiste em girar o elemento que você escolheu em 7º. Nada mais, nada menos. Sete graus. Isso serve para mostrar que o objeto não está parado. Ele tem alguma dinamicidade, mas é muito pouca, muito discreta. Tão discreta quanto o erotismo. É muito sutil. Ha?

5º passo - A próxima coisa a fazer é adicionar algumas transparências ou degradês. E, outra, escolher uma cor, só uma cor, para dar algum destaque. Algum elemento da capa tem que ser destacado por essa cor.

6º passo - Agora já é mais fácil. É só uma questão de escolher o título, a editora, o nome do autor, uma coleção, e colocar tudo em cima da capa. Só não esqueça de escolher uma tipologia que se pareça com a de "Cinquenta tons de cinza". No meu caso, escolhi a Cabin. Não segue a regra, mas e daí?

7º passo - Por último, basta colocar mais algumas informações irrelevantes. No caso, pode ser um pequeno texto abaixo do título e, muito importante, algum "selo" que remeta a algum outro livro erótico.

Pronto! Agora você tem a sua capa personalizada de seu próprio romance erótico!
Talvez eu mesmo vá escrever um... afinal de contas, a capa tá pronta.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Resenha de "Suicidas", de Raphael Montes

Título: Suicidas
Autor: Raphael Montes
Número de Páginas: 488
Editora: Benvirá
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Sinopse:
Um porão, nove jovens e uma Magnum 608. O que poderia ter levado universitários da elite carioca – e aparentemente sem problemas – a participarem de uma roleta-russa? Um ano depois do trágico evento, que terminou de forma violenta e bizarramente misteriosa, uma nova pista, até então mantida em segredo pela polícia, ilumina o nebuloso caso. Sob o comando da delegada Diana Guimarães, as mães desses jovens são reunidas para tentar entender o que realmente aconteceu, e os motivos que levaram seus filhos a cometerem suicídio. Por meio da leitura das anotações feitas por um dos suicidas durante o fatídico episódio, as mães são submersas no turbilhão de momentos que culminaram na morte dos seus filhos. A reunião se dá em clima de tensão absoluta, verdades são ditas sem a falsa piedade das máscaras sociais e, sorrateiramente, algo muito maior começa a se revelar.
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Resenha:
Eu conheço a história do Raphael Montes de longe. Tecnicamente, de muito longe, já que ele mora no Rio de Janeiro e eu moro no Rio Grande do Sul. Mas eu acompanhei indiretamente a sua história durante o tempo. Ele era o dono da comunidade do orkut "O Escritor e Sua Sinopse", chamada carinhosamente de OEESS. E, lá, nos conhecemos e criamos laços entre diversos escritores amadores, que, no final das contas, se mantiveram.

Enfim, os escritores amadores de outrora hoje já publicam livros. E chegou a vez do dono da comunidade publicar sua história, depois de inscrever seu livro no Prêmio Benvirá, promovido pela editora Saraiva. Já imagino a cena. Mesmo sem ser o vencedor do prêmio, os editores sabiam que não podiam deixar passar uma história dessas.

Definitivamente, foi uma boa escolha. "Suicidas" é um livro único. Uma história policial que se passa no Rio de Janeiro, sobre nove pessoas que decidem se matar com uma Magnum 608 no porão de um lugar chamado Cyrille's House.

Existem três núcleos na trama. O primeiro é a narrativa complementar do personagem principal, Alessandro. Ele narra determinados momentos de sua vida, que explicam rapidamente alguns aspectos que serão apresentados nos capítulos seguintes do livro (dentro do livro, existe um que o Alessandro escreve). O segundo núcleo é esse do livro que Alessandro narra. Em tempo real, ele escreve a história da roleta-russa do porão, na qual os nove jovens morrem. O terceiro núcleo é o que ocorre um ano após os acontecimentos: as mães dos suicidas são reunidas por uma delegada e ela narra o livro de Alessandro para elas. A narração é gravada.

A princípio, a história não parece ter um motivo para existir. Os suicídios já aconteceram. Nada pode ser feito a respeito, principalmente pelo fato de quem ter matado as vítimas foram elas mesmas - dessa forma, não há quem prender. Contudo, conforme a trama avança, o motivo para as reuniões é revelado, assim como as motivações para cada um participar da roleta-russa.

Há mistério desde o começo da história; há a necessidade de saber qual serão os motivos para que eles se matem e qual o sentido de tudo aquilo. Outro mistério, mais sádico, é o de saber quem morrerá primeiro. E de que maneira. E a forma como eles morrem geralmente é brutal. Muito brutal. Começa quando os cílios de um são arrancados com uma pinça, continua para questões mais sérias e até uma que realmente choca, e que é melhor não comentar.

Quando questões ainda maiores são envolvidas, como um grande assassinato, começamos a entender o motivo de tudo, e os mistérios aumentam ainda mais. Raphael, no entanto, como um ótimo novelista, sabe amarrar cada ponta solta, colocar cada peça do quebra-cabeça no seu lugar. A história é bem redonda, sem nenhuma grande falha para ser destacada. É até bastante interessante ver como pontos do começo se fecham no final com perfeição. E a trama é surpreendente. Quase todos os capítulos apresentam uma revelação que deixa o leitor de queixo caído.

Talvez o único porém seja a impossibilidade da narrativa do livro de Alessandro. Raphael contou, em uma entrevista, que a princípio ele gravaria, com uma câmera de vídeo, a roleta-russa. Depois a ideia se modificou e tornou-se um livro. Talvez o audiovisual fizesse mais sentido. Escrever, e principalmente à mão, não é nada fácil. Ainda por cima com gente morrendo ao redor, e com tantos detalhes quanto os que existem nessas partes de narrativa. É simplesmente inviável que Alessandro seja capaz de segurar um martelo, ter discussões filosóficas internas sobre assassinato e ainda escrever no caderno ao mesmo tempo. 

Mas dá para relevar essa questão pelo fato de a história ser boa. Por sinal, muito boa. Ótima. Raphael Montes, em sua estreia, nos apresenta um volume digno de qualquer autor profissional, do exterior ou nacional. Sua escrita é primorosa, os acontecimentos, verossímeis. A brutalidade, chocante. Este livro tem muito potencial. Não seria de se surpreender se virasse um best-seller no Brasil.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Resenha de ''Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes'', de A. Z. Cordenonsi

Título: Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes
Autor: A. Z. Cordenonsi
Número de páginas: 236
Editora: Underworld
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Sinopse:
Dois garotos, um Cavaleiro, uma assombração... E o destino do mundo em suas mãos! Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes é um livro de fantasia e ação que conta a saga de dois garotos de uma pequena cidade gaúcha que, ao encontrar o corpo ensanguentado de uma jovem, acabam se envolvendo em uma luta secular pela posse de um artefato misterioso. De repente, a vida monótona e sem-graça dos dois garotos é completamente transformada e eles descobrem que a pitoresca Vila Belga pode conter muitos mais segredos do que eles podem imaginar. Capitaneados para o olho do furacão pelo braço forte do Cavaleiro Nicolau, Duncan e Joaquim são atacados por ghouls assassinos, viajam em um trem cambaleante, combatem um gigantesco tartaranho e precisam se defender do irrefreável Homem do Chapéu de Ferro. Perseguidos pelos inescrupulosos agentes d’O Inimigo e contando com a ajuda da menina desencarnada, os garotos terão que sobreviver ao desafio mais difícil de suas vidas contando apenas com a força da sua amizade e uma boa dose de coragem. Ao participar da busca pela Clave Cristalina, eles se deparam com horrores inimagináveis e se agarram com todas as forças a sua sedutora companheira, a Aventura! Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes é o primeiro livro da série projetada pelo escritor gaúcho A.Z.Cordenonsi. Um thriller de fantasia, ação e mistério cuidadosamente dosados, o livro prende o leitor do início ao fim. - A Ordem Vigia! –
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Resenha:
André Cordenonsi não é um iniciante no mundo literário. Com diversos contos publicados em muitas antologias, de diversas editoras, seu estilo é basicamente o da literatura fantástica. É também necessário dizer que ele participou do primeiro Bang Literário, e seu conto foi ilustrado por mim. Seu nome é Azrael, e mostra como são a maior parte de suas histórias: baseadas no horror, no fantástico, com um clima sombrio.
Aliás, segunda feira participei de uma palestra com ele. Na verdade, eu estava do lado dele, e nós dois (mais ele) apresentávamos a vida de escritor e a maneira como trabalhávamos para alunos de uma escola pública. Nessa palestra, ele nos mostrou um conto inédito, chamado ''O Engenharista''. Era um conto relativamente longo, mas o André leu com tal empolgação e o clima era tão envolvente que todos ouvimos atentamente.
O mesmo acontece com seu livro de estreia. A história é muito envolvente: dois garotos encontram uma menina morta na Vila Belga, aqui em Santa Maria, o que os leva a conhecer um mundo antes inimaginável para ambos. Seria uma trama bastante batida, não fosse a maneira bastante original de contar. E, também, o fato de que se passa em Santa Maria.
Talvez isso realmente não faça diferença para quem não mora aqui, mas, pra mim, faz. Fato é que nem todos os autores conseguem situar uma história em sua própria cidade e ainda mantê-la verossímil, legal. O livro do André consegue se passar em Santa Maria e ainda fazer sentido, geograficamente falando, para quem não mora aqui, nunca passou e nem faz ideia de onde fique essa cidade. Ele explica de maneira bastante interessante os locais, e, para quem conhece Santa Maria, é incrivelmente recompensador encontrar uma história tão fantástica (e não falo, agora, do estilo) que se passe aqui.
A Vila Belga foi definitivamente uma ótima escolha. Trata-se de um local peculiar e fascinante na história dessa cidade. A ideia de integrar o enredo com as estações ferroviárias, os trilhos e toda a questão que envolve o lugar foi ótima. Além de criar uma mitologia única.
A aventura é muito presente, o tempo inteiro. Estamos sempre acompanhando o caminho dos dois personagens principais: Duncan e Joaquim, seu melhor amigo. Eles sofrem com problemas de qualquer pré-adolescente e, agora, têm de lidar com as questões mágicas que envolvem a sua busca pela Clave Cristalina, além das diversas pesquisas para descobrir a respeito de um diário de um antigo naturalista. É incrível acompanhá-los, e a vontade é de sempre continuar virando as páginas. O livro é rápido e ágil. A narrativa, enfim, em um todo, é o ponto alto. É cativante em todos os sentidos.
Há dois pontos a ressaltar para o lado negativo, no entanto. Um deles é a escolha do público-alvo como sendo o infanto-juvenil. Obviamente não há problema algum nisso. A linguagem usada, porém, não se encaixa muito bem com a escolha. Há momentos em que o autor utiliza palavras desconhecidas até para alguém mais acostumado com a leitura, então imagine para alguém que esteja começando, como o alvo da história. Em certo momento, li que a avenida Rio Branco era, antigamente, o centro nevrálgico da cidade. Sinceramente falando, acho que jovens em geral não entenderão direito de que trata a palavra.
Outro ponto a se destacar se relaciona diretamente com a editora e, também, com a gráfica escolhida. A capa é fosca, mas o interior é revestido por um verniz que a força para fora. Ou seja, enquanto você lê, a capa insiste em querer ficar aberta. A orelha pequena atrapalha também. Enquanto que a capa abre sozinha, a orelha pequena agarra as páginas à esquerda e não adianta brigar: ela não deixa você segurar tudo junto.
Quanto à impressão, o preto é preto demais, não parecendo natural. Ele é tão escuro que há imperfeições bem visíveis. Se fosse um cinza, talvez não fosse tão esquisito. Claro que há a possibilidade de ser uma questão do papel escolhido, mas aí é escolha na gráfica. Além disso, dois cadernos do livro simplesmente caíram enquanto eu lia. Posso dizer que eu realmente cuido muito de meus livros, e o fato de que dois cadernos, perto do final, tenham caído, mostra a mim a seguinte conclusão: a editora deveria ter dado mais valor gráfico à obra. Fato é que a história é muito boa para ter esse tipo de problema.
Ainda assim, se depender apenas da narrativa do André, o livro é mais do que recomendado. Vale muito a pena apostar em autores brasileiros - e gaúchos! - como ele. O professor (porque ele foi meu professor) tem definitivamente uma história única em mãos. Quando o segundo livro sair, na Bienal do ano que vem, certamente irei lê-lo.